Thiago Bernardes

O arquiteto Thiago Bernardes é daqueles cariocas tão apaixonadas pela cidade, que quando vai “ali em São Paulo” a trabalho, por exemplo, já morre de saudades do Rio de Janeiro no dia seguinte e fica contando as horas para voltar. Também pudera. A Capital Fluminense é carregada de obras com traços de dois ícones de quem herdou a profissão: o pai e avô, Claudio Bernardes (1949-2000) e Sergio Bernardes (1919-2002).

Sérgio, que teve sua carreira revista na exposição Sergio Bernardes 100 anos, no Museu Nacional de Belas Artes, e que foi parte do calendário Rio Capital Mundial da Arquitetura, foi o maior arquiteto de residências fluminenses nos anos 1940 e 50, tendo desenvolvido sua carreira contemporaneamente a outros grandes arquitetos modernos, como Oscar Niemeyer. Já Cláudio, foi um dos precursores no uso de matérias-primas nas construções em seu estado bruto, entre elas, palha, terra, pedras, madeiras e bambus.

– Tentei até fugir do ofício, para não repeti-los, mas não teve jeito. Cresci no ambientem deles, respirava arquitetura o tempo todo com eles. É como o filho de um marceneiro, que vive na marcenaria e acaba, naturalmente, aprendendo a lidar com as ferramentas – justifica Thiago, hoje com 45 anos e que acabou encontrando sua própria identidade ao longo da brilhante carreira.

Iguais a Cláudio e Sérgio, só mesmo a fama, os reconhecimentos e premiações, inclusive internacionais, por suas obras. Uma das mais famosas é o Museu de Arte do Rio (MAR), projeto que uniu o retrofit de dois edifícios de períodos diferentes com a intervenção contemporânea nas fachadas e cobertura, e que ajudou a desbravar a revitalização da Zona Portuária. Em 2013, a obra foi escolhida como um dos 100 edifícios mais importantes do ano pela prestigiada publicação Architecture Now, da Editora Taschen.

– O desenho do MAR propõe um contato entre a natureza e os materiais que o compõem, unindo tecnologia, história e contemporaneidade, num conceito livre de ocupação do espaço urbano. É o que tento imprimir nas minhas realizações: conceitos de simplicidade e sensações boas, de paz, de amor e de liberdade. Como é a alma do carioca – compara, destacando, com orgulho, segundo ele, que é “um representante, um difusor, desses e outros valores”.
O arquiteto justifica o que o faz sentir saudades do Rio em poucas horas, quando viaja.

– Acho que é o jeito despojado que o carioca tem de ver e levar a vida. Em que outro lugar do mundo há uma mistura tão grande de experiências, de diferenças, numa praia, com gente de todos os cantos da cidade? Essa mistura de culturas é incrível, necessária -, destaca.

Com lembranças da infância nítidas em sua memória, quando andava de bicicleta com os amigos pela Gávea, Thiago conta que mantém alguns hábitos da juventude hoje em dia.

– Nadar em grupo, do Arpoador ao Posto 6 ou 9, por exemplo, é um dos meus maiores prazeres, que tive que interromper por conta da epidemia da Covid-19. Voltei a praticar a natação lá nas últimas semanas, tomando todas as precauções recomendadas. Aliás, por ser um povo que, definitivamente, não nasceu para ficar enclausurado, o carioca é o que mais sofre com o isolamento social, no meu entender. A pandemia nos privou das coisas simples, mas com significados profundos, que são a verdadeira essência da vida, como curtir um pôr do sol com os amigos e a família no Arpoador ou na Mureta da Urca -, finaliza.

Lugares preferidos no Rio por Thiago Bernardes

 

Museu de Arte Moderna: Foto: Marina Herriges Riotur

Museu de Arte Moderna (MAM) – Por ser um dos marcos arquitetônicos mais imponentes do Rio, símbolo de uma das mais importantes instituições culturais do Brasil.

 

Parque Madureira. Foto: Alexandre Macieira/ Riotur

Parque de Madureira – Verdadeiro espetáculo de beleza a céu aberto. É sinônimo de lazer, cultura e diversão em família, entre amigos. Uma obra maravilhosa em todos os sentidos.

 

Floresta da Tijuca. Foto: Alexandre Macieira/ Riotur

Floresta da Tijuca – Esse paraíso, com suas cachoeiras, trilhas, bichos e rica vegetação, é o lugar perfeito para se escapar da correria e estresses do dia a dia.

 

Pedra da Gávea. Foto: Ricardo Zerrener Riotur

Pedra da Gávea – Costumo brincar que é meu quintal, praticamente. Proporciona, de seu topo (a 850 metros de altura), uma das vistas mais bonitas do mundo.

 

Arpoador. Foto: Alexandre Macieira/ Riotur

 

Arpoador – Assim como as outras praias cariocas, é um dos maiores patrimônios naturais do Rio. Ponto de encontro democrático para celebrações simples, mas necessárias da vida.