PPP da Iluminação Pública do Rio: solução para economia e consumo sustentável de energia por 20 anos

Quatrocentas e cinquenta mil luminárias serão substituídas por tecnologia LED. Foto/: Marcos de Paula/ Prefeitura do Rio

O parque de iluminação pública do Rio de Janeiro começa a passar por modernização inédita, envolvendo investimentos em tecnologia de ponta, da ordem de R$ 1,4 bilhão. O esforço faz parte da Parceria Público-Privada (PPP) da Iluminação Pública do município, assinada pelo prefeito Marcelo Crivella em abril deste ano, com o objetivo de trazer benefícios e soluções inteligentes para o setor para as próximas duas décadas.

No quinto capítulo da série de reportagens sobre sustentabilidade, arquitetura, urbanismo e paisagismo, no mês dedicado mundialmente ao meio ambiente, o Rio Capital Mundial da Arquitetura ouviu Paulo Cesar dos Santos, o PC, presidente da Rioluz. Ele comenta alguns detalhes importantes desse projeto, que visa, acima de tudo, o bem-estar da população em geral.

Paulo Cesar dos Santos, o PC, presidente da Rioluz: “O uso mais consciente da rede reduzirá pela metade o consumo de energia em todo parque de iluminação do Rio” Foto: Divulgação/ Rioluz

Resultado de um esforço coletivo de várias secretarias municipais, a PPP da Iluminação Pública da Cidade do Rio promete, segundo PC, uma “revolução no sistema”, que passa a ser operado pelo consórcio Smart Luz – formado por diversas empresas do ramo -, vencedor da licitação. A iniciativa promete dar mais energia aos cofres públicos, com uma economia prevista de R$ 120 milhões por ano.

Com a PPP, o Rio vai ganhar 450 mil luminárias com tecnologia LED. Pelo menos 90 mil pontos de luz vão passar por modificações já nos próximos 12 meses. Cerca de 34,5 mil postes de iluminação pública serão trocados. Todo o sistema será monitorado em tempo real, através de um centro de controle operacional.

Também serão instalados 5 mil pontos de wi-fi e 10 mil câmeras, sendo 40% delas com reconhecimento facial. A localização desses pontos vai considerar estudos desenvolvidos pelas áreas competentes. O Centro de Operações Rio (COR) indicará quais são as regiões que mais demandam pontos de internet. Já a Secretaria de Ordem Pública (Seop), por sua vez, contribuirá, baseado também em levantamentos oficiais das forças de segurança, com o apontamento de regiões que requerem mais atenção em todos os bairros da Capital.

Monumentos do Rio, como os Arcos da Lapa, ganharão iluminação especial permanente com a PPP. Foto: Marcos de Paula/Prefeitura do Rio

De acordo com Paulo Cesar dos Santos, foram vários meses de planejamento e trabalho para viabilizar o projeto da forma que existe hoje e que, garante ele, beneficiará não só a população em geral, mas também turistas e o meio ambiente. Entre os pilares fundamentais da PPP, destaca ele, está justamente a atenção e preocupação com a preservação do ecossistema.

 – Nós, da Rioluz, fomos desafiados a desenvolver um modelo de modernização, que irá trazer benefícios tecnológicos inéditos aos usuários, bem como uma nova maneira de relacionamento com o meio ambiente, de forma inteligente e integrada à natureza. Hoje, na cidade, temos aproximadamente 450 mil pontos de luz. Com a PPP, todos esses pontos serão substituídos por LEDs, com capacidade de dimerização, que além de representar um uso mais consciente da rede, reduzirá pela metade o consumo de energia em todo parque de iluminação pública no município – garante PC.

O presidente da Rioluz afirma que  junto com a economia anual prevista, a vida útil do sistema de iluminação será consideravelmente mais extensa, gerando ainda menos descarte de equipamentos na natureza. Ele cita que o consórcio operador do parque é incentivado a criar modelos de autogeração de energia, como placas e painéis solares. Esse incentivo se dá através de bonificações e tem como objetivo deixar para a cidade do Rio um legado de consumo sustentável de energia.

Entre os detalhes da modernização da iluminação pública, estão a instalação de seis mil sensores semafóricos e quatro mil sensores de resíduos em bueiros. Essas alternativas também terão impactos nas políticas de sustentabilidade e na redução da emissão de gás carbônico.
No último dia 18, a Prefeitura, que faz manutenção diária na rede, com ordenamento de fiações, trocas de lâmpadas e outros equipamentos, iniciou a etapa piloto do projeto.

– Tratá-se de um marco em políticas de segurança, qualidade de vida, tecnologia e gestão ambiental – assegura PC, fazendo questão de exaltar a participação de Max Kelli, que o antecedeu na presidência do órgão. Kelli morreu de Covid-19 em abril. – Ele foi incansável para o sucesso desse projeto -, completa.

Orlas e praças terão iluminação especial

O contrato estabelece que 34 quilômetros de orlas, 101 parques e praças, 23 edificações e fachadas históricas e 12 espaços culturais e turísticos, assim como esculturas e monumentos, receberão iluminação especial.

A PPP foi traçada nos moldes da chamada contraprestação pecuniária, por meio da qual o município receberá de volta cerca de 30% do montante arrecadado com a Contribuição sobre a Iluminação Pública (Cosip). Antes de assinar o contrato, o consórcio, formado por cinco empresas, depositou garantia de aproximadamente R$ 100 milhões para operar.

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