Parques urbanos começam a ser reabertos no país, mas com regras, público limitado e visitas agendadas em sua maioria

Parque Madureira abriu os portões na terça-feira: alívio contra estresse no subúrbio do Rio. Foto: Alexandre Macieira/ Riotur

Ainda é muito cedo para se compreender ou definir os impactos estruturais que a pandemia da Covid-19 irá causar no planeta. Especialistas, porém, garantem que muitos rastros físicos e sociais nas cidades vão ocorrer e atravessar muitas gerações, depois do amargo e estressante período de confinamento. Verdadeiros oásis, os parques urbanos, projetados e preservados para receberem grandes públicos e servirem também como equilíbrio entre a agitada e poluída vida moderna e o meio ambiente, estão fechados há quatro meses em boa parte das metrópoles brasileiras. Outros estão reabrindo aos poucos e alguns ainda sequer têm previsão de tirar os cadeados dos portões. 

O assunto é abordado hoje pelo Rio Capital Mundial da Arquitetura (RCMA), no nono capítulo da série de reportagens sobre sustentabilidade, arquitetura, urbanismo e paisagismo, iniciada em junho – mês dedicado mundialmente ao meio ambiente. Como essas válvulas de escape contra o estresse no cotidiano foram ou estão sendo preparadas em diversos municípios brasileiros de grande porte, para continuarem sendo importantes pontos de encontros em áreas densamente povoadas no novo normal?

Amanhã, dando continuidade ao assunto, o que os principais parques internacionais estão adotando para atenderem os moradores locais e turistas? Experiências inusitadas, que vêm sendo copiadas mundo afora. Como no Domino Park, um dos maiores refúgios verdes de Nova Iorque, no Brooklyn, onde o chamado `urbanismo tático estratégico´ – que muda a paisagem com novos desenhos e intervenções arquitetônicas e que ajudam a manter o distanciamento social -, foi destaque recentemente no ArchDaily, o site de arquitetura mais visitado do mundo.

Também virou notícia mundial o cachorro-robô da Boston Dynamics, que patrulha um parque em Singapura, na Malásia, um dos quatro países mais ricos do mundo. O cão de lata leva mensagens gravadas aos frequentadores, alertando-os sobre a importância do distanciamento entre eles, e até dedura, por microcâmeras, quem está burlando regras.

No Rio de Janeiro, governo municipal aposta na consciência dos frequentadores

No Brasil, ainda não são perceptíveis mudanças estruturais significativa nos parques e praças públicas, apesar do empenho nas ações que visam evitar a proliferação do novo coronavírus. No Rio de Janeiro, a maioria dos 28 parques públicos – 22 deles administrados pela Fundação Parques e Jardins, autarquia da Prefeitura, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente -, foi reaberta nos últimos dias.

Os equipamentos estavam fechados desde meados de março, com o objetivo de conter aglomerações, já que muitos recebem grande quantidade de pessoas, como o Campo de Santana, no Centro – um dos mais belos parques históricos da cidade, com projeto de 1870, do paisagista francês Glaziou -, por onde circulam, diariamente, aproximadamente 100 mil pessoas. Para evitar aglomerações involuntárias, apenas um dos quatro portões está sendo mantido aberto por enquanto, segundo a FPJ.

Funcionária da Comlurb desinfeta equipamento de ginástica no Parque Madureira: rotina sem previsão de término. Foto: Divulgação/ Comlurb

O mais recente a abrir foi o Parque Madureira, na última terça-feira. Este parque urbano contemporâneo já foi objeto de matéria no site, em entrevista do arquiteto Ruy Rezende, autor do projeto (https://capitalmundialdaarquitetura.rio/rio-capital-mundial-da-arquitetura/arquitetos-renomados-falam-de-seus-projetos-com-foco-na-sustentabilidade-de-edificacoes/). Moradores demonstraram alegria pelas redes sociais.

– Uhu! O meu quintal está de volta, aberto de novo! -, comemorou Debora Leal, moradora da região, em postagem no Facebook.

– Melhor notícia dos últimos meses! Estava caminhando na rua, um perigo. Mas vamos cumprir as regras, meu povo, para não ter que fechar de novo -, alertou Joseph Pimentel, outro internauta.

Alguns parques ainda passam por ajustes operacionais e de adaptações de horários. A reabertura de parques e praças públicas é feita seguindo protocolos, que determinam o cumprimento das chamadas regras de ouro, pré-requisitos para a retomada das atividades. As decisões governamentais, tomadas com base no Plano de Reestruturação da Cidade, e que podem ser revistas a qualquer momento, são baseadas em análises diárias do comitê médico-científico, que tem como premissa, “atuar com amplo diálogo e transparência”.

Além dos comitês de crise e científico da Prefeitura, mais de 50 técnicos de todas as áreas da administração participaram do planejamento de reabertura desses espaços de lazer. Entre os critérios levados em consideração estão o número de pessoas que frequentam os espaços públicos; a probabilidade de propagação da doença; e a geração de emprego e renda. A prática de exercícios individuais nesses locais está liberada. Exercícios coletivos ainda estão proibidos e equipes da Comlurb, empresa de limpeza urbana do município, fazem a limpeza e desinfecção dos equipamentos infantis dos parques a cada três horas.

Entre as determinações obrigatórias, sob pena de multa, estão o distanciamento social, o uso obrigatório de máscaras faciais e disponibilização de álcool gel nos banheiros e outras áreas comuns.

Parque Madureira abriu os portões na terça-feira, sob fiscalização do cumprimento das regras de ouro por guardas municipais. Foto: Divulgação/ Guarda Municipal

Para consolidar a reabertura, sem que os índices da doença aumentem, a Prefeitura aposta primeiro no diálogo e na consciência dos moradores. Desde o dia 5 de junho, a Guarda Municipal atua na conscientização dos moradores nos pontos onde pode haver aglomerações, mas também reforçando a fiscalização sanitária em apoio à Subsecretaria de Vigilância Sanitária (Subvisa). Em casos mais extremos, cidadãos flagrados sem máscaras podem ser multados pelos agentes em R$ 107. A multa é aplicada pelo CPF do infrator.

Guardas municipais patrulham a Quinta da Boa Vista, por onde passavam milhares de pessoas por dia. Foto: Dilvulgação/ Guarda Municipal

– A abertura dos parques é importante, pois mostra que estamos avançando no combate ao novo coronavírus, nesse processo de retomada gradual das atividades na cidade. Mas essa luta ainda não acabou. Por isso, mais do que nunca, precisamos respeitar as orientações, como uso de máscara e manter o distanciamento social. Estamos nas ruas para orientar e fiscalizar o cumprimento dessas medidas e queremos contar com a ajuda da população para que possamos retornar à rotina normal o mais rápido possível – afirma o comandante da Guarda Municipal, inspetor geral José Ricardo Soares.

Para garantir que não haja agrupamentos de pessoas em determinados locais, a Prefeitura criou há quatros meses o Disk Aglomeração (Whatsapp 3460-1746). Além disso, a Guarda Municipal realiza patrulhamento diário em diversos parques da cidade. Além de coibir delitos e desordens, os agentes foram treinados para atuar no sentido evitar aglomerações e fiscalizar o cumprimento de regras e normas sanitárias.

A Quinta da Boa Vista, parque histórico com jardins de Glaziou no bairro de São Cristóvão, por exemplo, recebe patrulhamento diário de guardas da 1ª Inspetoria da Guarda Municipal (Centro), que realizam rondas permanentes em toda extensão do parque. Já o Parque Madureira, o maior do subúrbio carioca, que costuma receber mais de 25 mil pessoas por dia, é monitorado pela 11ª Inspetoria da Guarda Municipal, unidade criada exclusivamente para atuação dentro daquele parque. As equipes atuam com carrinhos elétricos, bicicletas e em rondas a pé.

No primeiro momento, o complexo de Madureira, que tem a terceira maior área verde da cidade, com mais de 3 km de extensão, contando com quadras poliesportivas, fontes de água, riachos, quiosques, pista de skate, pomar e brinquedos, passou a funcionar de 6h às 20h, duas horas a menos que antes da pandemia. O horário deverá permanecer até a próxima fase, de número 6, quando o esquema será novamente reavaliado. Dezenas de pessoas sem máscaras foram barradas no primeiro dia de reabertura.

A Guarda Municipal também está atuando, através do Grupamento de Defesa Ambiental (GDA), em parques naturais da cidade, como o Marapendi, com projeto do paisagista Fernando Chacel; Chico Mendes; Prainha, no Recreio; Bosques da Freguesia e da Barra, todos na região da Baixada de Jacarepaguá; Trilha do Pão de Açúcar, que leva ao topo do morro de mesmo nome na Zona Sul da cidade, entre outros. Nesses locais, os agentes fiscalizam ainda as posturas municipais, como a proibição da montagem de acampamentos e realização de festas.

Jardim Botânico reabriu dia 9, porém com visitação programada e limitada

O mais antigo parque do Brasil, o Jardim Botânico do Rio, no bairro de mesmo nome, na Zona Sul carioca, reabriu à visitação no dia 9 deste mês, após quatro meses fechado. As visitas, entretanto, só estão podendo ser feitas por meio de agendamentos prévios, No primeiro dia de funcionamento, a instituição recebeu 244 pessoas. Para recebê-las, a direção equipou suas equipes de atendimento com equipamentos de proteção (EPIs), sinalização com as informações necessárias e totens contendo álcool gel para higienização das mãos.

O agendamento pode ser feito pelo endereço https://agendamentovisita.jbrj.gov.br. No site estão os horários disponíveis, preços de ingressos e as normas exigidas. O limite é de 540 visitantes por dia, cerca de um terço do que o JBRJ costumava receber em dias de maior movimento. A medida visa controlar o fluxo de entrada na bilheteria e evitar aglomerações.

Jardim Botânico reabriu no dia 9, com equipamentos que dispensam contatos. Foto: Alexandre Macieira/ Riotur

No dia da reabertura, a presidente do JBRJ, Ana Lúcia Santoro, recebeu autoridades,  numa cerimônia que contou com uma rápida caminhada pela nova Trilha da Mata Atlântica. Ao lado da secretária municipal de Turismo do Rio de Janeiro, Camila Souza, e do presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Homero Cerqueira,  Lúcia plantou, como simbolismo de renovação, uma muda de Eriotheca macrophylla (K.Schum.) A.Robyns, o popular algodãozinho, planta endêmica do Brasil.

Visitante caminha pelo jardim Botânico: menos fluxo de pessoas e agendamento prévio. Foto: Alexandre Macieira/ Riotur

Parques paulistas reabrem com protocolos, demarcações no chão  e termômetros digitais

Em São Paulo, 70 dos 108 parques municipais foram reabertos no último dia 13, com restrições de horários e lotações, e obedecendo a novas sinalizações internas, que tentam garantir o afastamento social. Os espaços estavam fechados desde março. Na primeira semana, receberam 128.114 pessoas.

Logo na primeira semana, deu para perceber, segundo as autoridades paulistanas, que a população estava sentindo falta das atividades ao ar livre. Os cinco parques mais visitados foram: Ibirapuera (42.452), Carmo (9.197), Luz (8.848) Aclimação (8.562) e Independência (6.857). Para evitar aglomerações, os parques não estão funcionando ainda nos fins de semana.

Parque Central, em Santo André (SP): círculos delimitam área para frequentadores. Foto: Alex Cavanha/ Prefeitura de Santo André

Em Santo André, na Região do Grande ABC, Zona Metropolitana Sudeste de São Paulo, os dez parques municipais foram reabertos quatro dias depois da Capital, com a instituição de diversos protocolos de segurança. As regras para reabertura constam em decreto municipal.

Entre as iniciativas da Prefeitura local para assegurar o distanciamento mínimo de 1,5 metro entre as pessoas, os frequentadores são obrigados a seguir demarcações feitas nos gramados para evitar aglomerações. Os maiores da cidade – Central, Celso Daniel, Ipiranguinha, Parque Regional da Criança e Chácara Pignatari- recebem periodicamente equipes de desinfecção.

O casal de empresários Rodrigo Rocha e Deyse Resende, voltaram ao Parque Central no dia 17, depois de quatro meses de fechamento. Eles levaram os cães da família, Luck e Babi, e aprovaram as iniciativas para conter a disseminação do novo coronavírus. Nesse dia, os brinquedos ainda estavam interditados.

– Na entrada tinha um funcionário verificando a temperatura dos frequentadores, enquanto outro jogava álcool gel nas nossas mãos. Não vi ninguém sem máscaras.  Ficamos lá por duas horas. Além de soltar os cachorros e ficar nas áreas delimitadas, também passeamos com eles na coleira pelos caminhos permitidos. Foi um alívio poder voltar,  porque moramos a 500 metros e estávamos muito acostumados a ir todo fim de semana -, destaca Rodrigo.

A empresária Deyse Resende e seu cão, Luck: demarcações dão mais segurança e evitam aglomerações. Foto: Arquivo Pessoal

– Achei importante as demarcações no chão.  Assim, cada família sabe que aquela distância é segura e afasta o risco de possíveis aglomerações -, completa Deyse.

 

Funcionários desinfetam equipamentos do Parque Central, em Santo André (SP). Foto: Helber Aggio/ Prefeitura de Santo André

Belo Horizonte faz adaptações em 60 parques, um deles com obra de arquitetos cariocas, inspirada em Burle Marx

 Sessenta parques municipais públicos de Belo Horizonte que recebem visitantes estão fechados desde o dia 18 de março deste ano. Os outros 16 são classificados como  áreas de preservação ambiental, com portões trancados permanentemente para visitação. De acordo com a Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica, o governo municipal está “acompanhando os modelos adotados em outras cidades do Brasil e até do mundo, a fim de aproveitar as boas experiências para desenvolvimento da sua estratégia de reabertura, que ainda está em estudo”.

Juntos, antes da pandemia, os 60 parques recebiam público mensal entre 200 e 500 mil visitantes por mês, dependendo do período do ano, como nas férias. 

Como as pessoas estão ansiosas para voltarem a frequentar espaços de lazer ao ar livre, uma possível redução do número de visitantes deverá se dar pela necessidade de controle de público nos espaços e será proporcional à cada medida que  deverá ser adotada. Ainda não sabemos qual será o percentual de uma possível redução. Por enquanto, ainda não há data de reabertura -, diz trecho de uma nota emitida ao RCMA pela Prefeitura da Capital mineira.

Enquanto permanecem fechados, a Prefeitura informa que os equipamentos estão passando por ajustes e recebendo diversos tipos de intervenções, visando o bem-estar e focando também no afastamento social. É o caso do Parque Ecológico Promotor Francisco Lins do Rego, mais conhecido como Parque Ecológico da Pampulha, onde uma obra de arte dos arquitetos cariocas Murad Mohamad e Jéssica Sarriá, ambos de 28 anos, em parceria com a arquiteta mineira Bárbara Barbi, de 28, promete ser, em breve, uma das principais atrações para os frequentadores.

Obra dos arquitetos cariocas Murad Mohamad e Jéssica Sarriá, em parceria com a mineira Bárbara Barbi: vencedora entre 250 concorrentes vai enfeitar o Parque da Pampulha. Foto: Gustavo Xavier/ Casa Cor

Batizada da Oca, a obra de arte,  concebida para proporcionar uma experiência sensorial e de conexão intensa com a natureza, segundo seus autores, foi vencedora de um concurso entre 250 projetos inscritos na edição mineira do Archathon, concurso de arquitetura e interiores voltado para profissionais em início de carreira.

A iniciativa de instalação da obra no Parque Ecológico da Pampulha, em entendimento com a fundação  que cuida dos parques, foi do Movimento Gentileza, que tem o objetivo de apoiar ações que contribuam com a melhoria do ambiente urbano, em benefício de uma cidade mais humana, alegre e gentil. 

A estrutura metálica vazada em aço corten, em formato caracol – inspirada no design do paisagista Roberto Burle Marx – tem 420 ripas de metal oxidado, em forma de caracol. Foi montada primeiro numa área de 200 m2, na 25ª edição do Casa Cor Minas, realizada em outubro de 2019, no Palácio das Mangabeiras, aos pés da Serra do Curral. Posteriormente, teve apoio da metalúrgica Arcellor Mittal, fornecedora dos materiais e dos recursos, para a transferência para o parque.

Sérgio Augusto Domingues, presidente da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica, diz que a escolha do Parque Ecológico da Pampulha respeitou a ideia original dos arquitetos.

É realmente um local apropriado , pois a Pampulha é uma região que se tornou uma espécie de berço de vários outros projetos do artista Burle Marx -, justifica, prevendo a conclusão dos trabalhos na próxima semana.

Alguns parques nacionais também são reabertos, incluindo o da Tijuca, recordista de visitantes no país

No último dia 9, o  Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável por parques nacionais, reabriu o  Parque Nacional da Tijuca, no Rio de Janeiro. No mês passado o instituto já tinha autorizado o funcionamento de outros importantes equipamentos turísticos: Aparados da Serra e Serra Geral, no Rio Grande do Sul, o de Brasília e o de Foz do Iguaçu (PR). Mais antigo do Brasil e situado na Serra da Mantiqueira, o Parque Nacional do Itatiaia, que  abrange os municípios de Itatiaia e Resende, no Estado do Rio de Janeiro, e Bocaina de Minas e Itamonte no Estado de Minas Gerais, onde ficam aproximadamente 60% de seu território, está fechado e sem previsão de reabertura, conforme aviso em seu site.

Parque Nacional da Tijuca, o mais visitado do País e sua vista exuberante. Foto: Ricardo Zerrener/Riotur

Para voltar a receber turistas, o ICMBio informa que várias medidas foram adotadas, como a limitação de visitantes e o distanciamento mínimo de dois metros entre as pessoas. Além disso, o uso de cachoeiras, duchas, reservatórios, pequenas lagoas e a realização de confraternizações nas áreas abertas ainda não está permitido. Também estão vetados os acessos  a mirantes e locais de convivência ao ar livre, como espaços para piqueniques e churrascos.

No Parque Nacional da Tijuca, cordões de isolamento foram colocados nas áreas onde não estão permitidas a circulação. Banners com regras gerais para o funcionamento do parque foram espalhados nos principais acessos. 

Protocolos específicos também estão sendo adotados para outras atividades, como voo livre  do Parque Lage, no bairro do jardim Botânico, na Zona Sul carioca. De acordo com o ICMBio, só o Parque da Tijuca recebeu no ano passado quase 3 milhões de pessoas e é o campeão de visitas no Brasil.

O quadro é dinâmico. Chegamos, portanto, num momento que é possível fazer, de forma segura, a reabertura gradual de nossas unidades  -, assegurou o diretor de Criação e Manejo de Unidades de Conservação do ICMBIo, Marcos Simanovic, em entrevista publicada no site do Ministério do Turismo.

No Paraná, o Parque Nacional do Iguaçu, que abriga as famosas cataratas, os cuidados também foram redobrados, garante o ICMBio. Na primeira fase de reabertura, as visitações são permitidas de terça feira a domingo, das 9h às 16h. Diariamente as principais áreas em comum passam  por sanitização para oferecer mais proteção aos turistas. A venda dos ingressos só ocorre de forma online.

 No Rio Grande do Norte, invasores vandalizam o Parque das Dunas,  fechado desde o início da pandemia

Maior dessa natureza no Brasil, o Parque Estadual Jornalista Luiz Maria Alves, mais conhecido como Parque das Dunas, em Natal (RN), fechado desde março, está sofrendo com invasões, depredações e atos de vandalismo. O problema foi denunciado nesta quinta-feira (23/7), pela direção do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema), responsável pelo equipamento.

Em suas redes sociais, a administração do parque postou  fotos de toneladas de lixo recolhidas por seus funcionários na Unidade de Conservação, que vem sendo acessada clandestinamente, através de um trecho da área de Mata, localizada próximo a Rua da Torre, em Morro Branco.

Funcionários da Parque das Dunas, em Natal, recolhem lixo deixado por invasores. Foto: Divulgação/ Parque das Dunas

– Vivemos uma situação devastadora no mundo todo pela Covid-19 e pela poluição causada por produtos plásticos, principalmente, na natureza. É um sentimento de tristeza encontrar tanto lixo aqui – desabafou a gestora do parque, Mary Sorage, lembrando que o parque é um dos mais importantes da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica Brasileira, formada por diversidade biológica fundamental para a existência do Bioma.

Na manhã de ontem, 12 agentes de limpeza com apoio de homens da Companhia Independente de Proteção Ambiental (Cipam) consertaram cercas arrombadas e fizeram um mutirão para recolhimento de lixo em uma área de 800m². Entre o material recolhido hoje estão garrafas PET, bitucas de cigarro, preservativos, lençóis, papelão, carcaças de eletrodomésticos, utensílios de plástico, entre outros. Ao todo, foram recolhidos 15 sacos com o lixo. Os funcionários também constataram árvores pichadas, placas e bancos destruídos.

O diretor geral do Idema, Leon Aguiar, disse que diversas trilhas clandestinas foram desativadas nos últimos meses.

Enquanto muitas pessoas estão em casa, se esforçando para seguir as orientações dos órgãos de saúde, outras estão ignorando a situação e, pior, fazendo mal a si mesmos, a terceiros e  ao meio ambiente. O poder público faz sua parte, mas com essas ações de invasões e destruição do patrimônio público, todos saem perdendo -, lamentou o diretor.

No Pará, parque públicos estão sendo reabertos gradualmente, com metade de suas capacidades

O estado do Pará está reabrindo gradualmente deus principais parques públicos, fechados desde março, devido à Covid-19. O Parque da Residência, um dos pontos turísticos da capital Belém, será reaberto ao público amanhã , com as devidas orientações de prevenção contra o novo coronavírus. O local  volta a funcionar de terça-feira a domingo, das 9h às 17h, mas com limitação inicial a 50% de sua capacidade.  Grupos com mais de 10 pessoas serão impedidos de entrar. O espaço, conforme o governo no local, disponibilizará totem com álcool gel para que os visitantes façam a higienização correta na entrada. O restaurante está proibido de funcionar por enquanto.

Já o Parque Zoobotânico Mangal das Garças, um dos mais populares de Belém, com cerca de 300 mil visitantes por ano, foi reaberto ao público no dia 18 deste mês, também com medidas de segurança.  Para entrar no parque, que funciona com o mesmo horário anterior ao fechamento, em meados de março,  das 9h às 18h, o uso de máscaras de proteção é obrigatório, assim como o distanciamento social, vigiado por câmeras e fiscais.

Parque Mangal das Garças, em Belém, no Pará: arquitetura urbana moderna ajuda naturalmente a evitar aglomerações. Foto: Divulgação/ http://www.mangaldasgarcas.com.br/

A Organização Social Pará 2000, que administra o Mangal das Garças, garante que a reabertura se baseia nos níveis de infecções e internações apontados pelo sistema de saúde da cidade e estado. Outros espaços verdes em Belém também já retomaram a rotina de visitação, entre eles, Viveiro das Aningas, Reserva José Márcio Ayres (borboletário) e o Mirante do Rio.

Notícias Recentes

Arquiteto André Piva morre no Rio

O Rio Capital Mundial da Arquitetura lamenta a morte do arquiteto André Piva, entusiasta do Modernismo com estilo despojado, que se destacou com trabalhos no

Share on facebook
Share on whatsapp
Share on twitter
Share on linkedin