Iluminação sustentável, que gera beleza, economia e bem-estar para as pessoas, requer consumo consciente

Com foco que desenvolve até no nome, a arquiteta e urbanista, especializada em iluminação de arquitetura, Mônica Luz Lobo, dá seguimento neste sábado, 27/06, ao quinto capítulo da série de reportagens sobre sustentabilidade, arquitetura, urbanismo e paisagismo, no mês dedicado mundialmente ao meio ambiente. Ela também aborda, em entrevista para o Rio Capital Mundial da Arquitetura, aspectos importantes da correta iluminação natural e artificial, em termos econômicos, sociais e ecológicos, tanto no campo privado como no público.

Amanhã, o engenheiro e servidor público Paulo Cesar dos Santos, o PC, presidente da Rioluz, vai destacar como o contrato da Parceria Público-Privada (PPP) da Iluminação Pública, assinada em abril deste ano pelo prefeito do Rio, Marcelo Crivella, com investimentos da ordem de R$ 1,4 bilhão,  possibilitará a modernização inédita da iluminação pública no município para os próximos 20 anos.

MÔNICA LUZ LOBO, arquiteta e urbanista, especializada em iluminação de arquitetura : “A iluminação tem o poder de revelar, dar significado e construir atmosferas”

 

Mônica Luz Lobo: experiência em iluminação arquitetônica e coleção de prêmios. Foto: Divulgação/ LD Studio

 

Desde 1997, Mônica e sua equipe vêm desenvolvendo projetos de iluminação em arquitetura através do LD Studio. Ela é daquelas profissionais que não pensam apenas em soluções, mas em projetos de iluminação responsáveis. Projetos que visam não só a preservação do meio ambiente, mas que enalteçam a arquitetura de espaços culturais, religiosos e corporativos, gerando, acima de tudo, melhor qualidade de vida e bem-estar para as pessoas.

A iluminação concebida de forma sustentável, segundo ela, contribui para o meio ambiente de diversas formas. A redução da produção e descarte de lixo no planeta, o consumo responsável de energia elétrica e a eliminação de substâncias poluentes, são alguns princípios que ela e sua equipe perseguem desde 1997 e que já resultaram em diversos reconhecimentos importantes no setor, com premiações nacionais e internacionais.

 

Museu do Amanhã: Iluminação especial, que rendeu a certificação LEED Gold à equipe de Mônica Luz Lobo, é uma das atrações do espaço, no Rio de Janeiro. Foto: Divulgação/ LD Studio

 

– A iluminação tem o poder de revelar, dar significado e construir atmosferas, além, claro, de prover a luminosidade adequada para o desempenho de tarefas. Todo este trabalho gera consumo e este consumo precisa ser consciente e preciso. Desde o início, nossa prática considera a consciência da responsabilidade no que se refere a eficiência dos sistemas projetados. Conceitos como a promoção de conforto visual, evitando light trespass ( sobra indesejada de iluminação, contaminação luminosa ) e respeitando e levando a sério questões como a poluição luminosa, são premissas nos nossos projetos -, ressalta.

Mônica destaca que com a evolução da tecnologia, a indústria de iluminação passou a ter uma gama enorme de ferramentas disponíveis para sua utilização a serviço do bem-estar e do respeito à fisiologia do ser humano. A possibilidade da dinamização e modulação da luminosidade de determinado ambiente, que resultam numa mimetização da iluminação natural com a artificial, abre novas possibilidades para a profissão.

 

Ambiente iluminado pela LD Studio no Leblon: harmonia entre luz e natureza. Foto: Divulgação/ LD Studio.

 

O Diodo Emissor de Luz (LED – Light Emitting Diode, em inglês), o componente que “brilha” quando submetido a uma voltagem, surgiu no mercado, como lembra a arquiteta, como um produto revolucionário, eficiente e sustentável, ideal para substituição de vários tipos de lâmpadas comuns, mais caras e portadoras de componentes tóxicos. Os LEDs, como são mais conhecidos, apresentam custos de manutenção reduzidos pelo fato de apresentarem vida útil elevada, permitindo menores custos de reposição, mão de obra, paradas não programadas nos serviços, entre outros fatores.

 

Igreja Nossa Senhora Lapa dos Mercadores, no Centro do Rio: beleza enaltecida por jogo de luz. Foto: Divulgação/LD Studio

 

Mas como saber, no dia a dia, se determinado produto é eficiente, menos poluente que outro, que possa gerar economia? Mônica adverte que para classificar um produto como eficiente, não basta ler nos datasheets ( folhas de especificações ) dos fabricantes a sua eficácia.

– Cada produto precisa ser utilizado com inteligência. E a inteligência está em atingir um resultado luminoso com um menor consumo, tirando partido de uma combinação de ótica adequada, baixo consumo e entendimento esperto de percepção visual -, comenta.

O uso da iluminação natural foi esquecida pela arquitetura comercial

A utilização de iluminação natural, segundo a arquiteta, foi esquecida em grande parte pelas edificações contemporâneas comerciais. Tudo porque o segmento optou pela repetição de soluções prontas, tidas como de baixo custo, ofuscando assim recursos criativos do uso da iluminação natural, que, por sua vez, não se repete, já que é pensada para cada situação específica.

 

Iluminação adequada torna ambientes mais agradáveis e dá ênfase ao diálogo entre o concreto e a natureza. Foto: Divulgação/ LD Studio

 

– Com a consciência de que a iluminação natural organiza nosso relógio biológico e promove bem-estar e conexão com nosso ciclo natural, está cada vez mais claro que os profissionais de arquitetura, iluminação e design, precisam trabalhar em colaboração. Assim, podem conseguir o equilíbrio entre viabilidade de custos e uso inteligente das fontes naturais e artificiais de iluminação -, defende Mônica.

Com a instituição, a partir de 1998, de selos internacionais de sustentabilidade LEED (Leadership in Energy and Environmental Design, ou Liderança em Energia e Design Ambiental, em português), nova luz, literalmente, foi lançada sobre questões de confiabilidade, de qualidade e preocupação com o meio ambiente, resultando na emissão de certificados para construções comprovadamente sustentáveis. Os selos, concedidos pela organização não governamental United States Green Building Council (USGBC), têm o objetivo de promover e incentivar práticas de construções sustentáveis. Os certificados internacionais são distribuídos em diversos níveis e categorias: LEED, LEED Silver, LEED Gold e LEED Platinum.

 

Edifício da L`Oreal, no Centro, tem iluminação projetada pela equipe de Mônica Luz Lobo e quatro certificações internacionais de excelência. Foto: Divulgação/ LD Studio

 

– Estes selos envolvem aspectos que vão desde procedimentos estratégicos no canteiro de obras, até premissas para toda a cadeia de projetos, levando-se em conta a arquitetura em si, estrutura da obra, instalações, iluminação, paisagismo, entre outros. Em 2014, um novo selo, o Well Building Standard, concedido pela International WELL Building Institute (IWBI) e administrado em parceria com o órgão certificador Green Building Certification Institute (GBCI), seurgiu para pensar em todos esses pontos, tendo o bem-estar do usuário sempre como o fator mais importante do conjunto de etapas.

Na opinião de Mônica, a busca pelo “essencial” já está na ordem dos empreendimentos num cenário pós-Covid.

– Um projeto bem fundamentado em seus propósitos e soluções, onde a precisão em combinar resultado surpreendente a alternativas que realmente se traduzam em sistemas inteligentes e essenciais, será uma espécie de seleção natural para a profissão após a pandemia. Mais que nunca, o poder da iluminação, que coloca o ser humano e toda sua complexidade no foco do processo é o caminho para o profissional que trabalha com desenho de iluminação -, assegura.

 

Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, no Centro do Rio, também leva assinatura premiada de Mônica Luz Lobo. Foto: Divulgação/ LD Studio.

 

Imóveis famosos levam assinatura do LD Studio

Entre os principais projetos executados pelo LD Studio estão a Igreja Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores; Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé; Theatro Municipal; Hotel Fasano, Portal AQWA e Bar do Copa, todos no Rio de Janeiro (RJ), além da Igreja de São Francisco da Pampulha, em Belo Horizonte (MG).

Das obras mais recentes o LD Studio é responsável pela fachada do Shopping Crystal Plaza e Banheiro Teen do Park Shopping Barigui, ambos em Curitiba (PR); Museu do Futebol, em São Paulo (SP), e loja H-Stern, no Rio. O Museu da Imagem e do Som do Rio; o Museu do Amanhã; Leblon Offices; Glória Palace Hotel; os guindastes do Píer Mauá e Grand Hyatt Rio, todos na capital carioca, também contam com projetos do escritório, assim como o Oca Resort, em Costa Verde (RJ) e Museu de Valores do Banco Central, em Brasília (DF).

– A busca por entender, por aprender, acho que nos colocou onde a gente está hoje. De sermos capazes de lidar com projetos complexos ou cuidar de de um menor, mais delicado, e tratá-lo da mesma forma, como uma coisa super importante -, resume Daniele Valle, sócia de Mônica, em um vídeo institucional no site da empresa ( http://ldstudio.com.br/ ).

 

A equipe do LD Studio vem garantindo prêmios nacionais e internacionais de iluminação desde 1997. Foto: Divulgação/ LD Studio

 

LED é vendido no mercado como produto revolucionário, mas também tem desvantagens

Mônica pondera que só os LEDs, mesmo sendo mais alinhados com o ecossistema, não são suficientes, porém, para que o setor se torne sustentável. Entre suas vantagens estão suas dimensões reduzidas; vida útil prolongada; eficácia em lumens por watt, gerando maior luminosidade; possibilidade de dinamização ( troca de temperatura, de cor e uso de infinitas composições de espectro ); ausência de substâncias tóxicas em sua composição, como mercúrio, chumbo e cádmio, produtos químicos presentes em lâmpadas fluorescentes, por exemplo; a possibilidade de reciclagem e fontes eletrônicas, que os tornam recursos inteligentes. Também não irradiam calor e consomem bem menos energia, refletindo na redução das contas de luz e emissões dos gases de efeito estufa.

– Entre as desvantagens estão a instabilidade de portfólio ( alto nível de descontinuidade de produtos ), problemas de compatibilização entre partes, fonte luminosa, equipamentos auxiliares ( drivers ) e sistemas de controles -, enumera Mônica.

Atualmente os LEDs de boa qualidade têm especificação de 50.000 horas de vida útil, com uma perda do fluxo admissível de 30% a 25.000h. A eficiência luminosa das luminárias e lâmpadas em LED utilizadas atualmente no mercado já passa de 100 l/w (lumens/watt). Os LEDs apresentam baixo consumo de energia, inerente a tecnologia, pois consomem poucos Watts, quando comparados às lâmpadas tradicionais do mercado.

No Brasil, a grande maioria dos produtos de iluminação é instalada diretamente na rede elétrica AC ( do inglês Alternating Current), que por padrão é adotado a tensão de 127V ou 220V, sempre na frequência de 60Hz. Para o correto funcionamento, é desejável que os drivers possuam as seguintes características elétricas: compatibilidade com as duas tensões: 127V e 220V; alto fator de potência; baixa geração de harmônicas na rede; alta eficiência de conversão (menor perda possível) e excelente estabilidade de alimentação para os LEDs.

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