Artigo: O Meu Rio

Galeria de Fotos

Biblioteca Nacional
Foto: Alexandre Macieira Riotur

Copacabana Palace
Foto: Divulgação Riotur

Cristo Redentor
Foto: Divulgação Riotur

Jardim Botânico
Foto: Divulgação Riotur

Outeiro da Glória
Foto: Marco Antônio Rezende - Prefeitura do Rio

Maracanã
Foto: Divulgação Riotur

Palácio Gustavo Capanema
Foto: Divulgação Riotur

Parque Lage
Foto: Divulgação Riotur

Pão de Açucar
Foto: Divulgação Riotur

Parque Nacional da Tijuca / Paineras
Foto: Divulgação Riotur

Quinta da Boa Vista
Foto: Divulgação Riotur

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Por Valeria Magiano Hazan, diretora executiva do Comitê Organizador Rio 2020 Capital Mundial da Arquitetura

Principal destino turístico da América do Sul, patrimônio da Humanidade pela UNESCO na categoria Paisagem Cultural Urbana  – paisagem carioca entre a montanha e o mar –, com 84 quilômetros de praias, dezenas de parques públicos urbanos e naturais distribuídos em todas as regiões da cidade, mais de dez mil imóveis históricos preservados, 162 bairros e mais de mil comunidades que acolhem cariocas e estrangeiros calorosamente. Este é o nosso Rio de Janeiro.

Todos, moradores ou visitantes da cidade, temos O MEU RIO afetivo. Locais que marcam as histórias pessoais e que esperamos reencontrar em breve, após o longo período de isolamento social em função da pandemia do novo coronavírus.

A coluna O MEU RIO surgiu da ideia de resgatar este afeto de arquitetos e personalidades diversas, moradores ou não da cidade, que contam a sua história e selecionam os cinco lugares preferidos, representando um pouco do universo de quase sete milhões de habitantes. Ao completar 20 colunas, fazemos aqui um breve retrospecto das escolhas de nossos entrevistados.

São muitas e em todas as regiões. Na Zona Sul destacam-se os espaços públicos de grande qualidade, representados pelo magnífico Parque do Flamengo, obra-prima de Reidy e Burle Marx, citado por diversos entrevistados não só pelas qualidades espaciais, mas por ser um local democrático, de integração da sociedade. A Floresta do Parque Nacional da Tijuca, a Lagoa Rodrigo de Freitas, o Jardim Botânico e o Parque Lage, todos cenários de imensa beleza, unindo fauna, flora e água em meio à cidade e coroados pela estátua do Cristo Redentor, uma das sete maravilhas do mundo moderno, mais alto monumento art déco mundial e identificado como um símbolo da Humanidade por um dos entrevistados.

Mas também há espaço para edificações e conjuntos arquitetônicos de diversos estilos e épocas, como a Igreja de Nossa Senhora do Outeiro da Glória, o Largo do Boticário, o Hotel Copacabana Palace e o Instituto Moreira Salles. Ou bairros bucólicos, que representam uma forma de viver mais plácida em meio à metrópole, como o Humaitá, o Bairro Peixoto e a Urca, com sua murada que emoldura a linda vista para a Enseada de Botafogo e onde temos acesso ao Pão de Açúcar, monumento natural que dispensa apresentações

Indo em direção ao Centro, tem destaque o bairro da Glória, com sua  mistura de patrimônio histórico, personagens e o popular e democrático shopping chão; e a Lapa, bairro boêmio há muitas décadas, onde se destaca o Circo Voador, ícone cultural da cidade com a arquitetura premiada de C. Diniz, E. Canellas, E. Dezouzart e T. Gualda, fruto de concurso público de projetos em 2001.

O Centro Histórico, com a Cinelândia, palco de atos cívicos que marcam a História da cidade, a imponente Biblioteca Nacional, com seu incomparável acervo, o Arco do Teles e os centros culturais, assim como o bairro de Santa Teresa, tiveram destaque. A Praça Tiradentes, polo cultural mais antigo da cidade, onde mensalmente tem lugar a ocupação Tiradentes Cultural, com programação variada e gratuita, foi ressaltada por esta pluralidade. 

O Palácio Gustavo Capanema, principal obra da arquitetura moderna brasileira, reconhecido mundialmente e projetado em 1936 pelos arquitetos Lúcio Costa, Niemeyer, Reidy, Jorge Moreira, Carlos Leão e Ernani Vasconcellos, foi citado por metade dos arquitetos entrevistados, assim como o Museu de Arte Moderna, de Afonso Eduardo Reidy, que acolhe em seus pilotis todo tipo de encontros ao longo de décadas. 

O arquiteto foi também homenageado com a lembrança do seu conjunto Residencial Prefeito Mendes de Moraes, mais conhecido como Pedregulho, no bairro de  São Cristóvão, que com seus mais de 70 anos é ainda modelo de unidade de habitação popular para estudantes e profissionais de arquitetura do mundo todo. No mesmo bairro, a Quinta da Boavista, com os lindos jardins históricos do paisagista francês Glaziou, foi sabiamente reconhecida como um lugar de encontros para as famílias ao longo de gerações.

O Sambódromo, monumento e passarela do samba de Niemeyer, palco das escolas de samba no Carnaval há mais de 20 anos, foi também citado pela diversidade de usos – espetáculos e Educação –  e  no período da pandemia também recebeu a importante função de abrigo para pessoas em situação de rua e arrecadação e distribuição de alimentos. 

A Região Portuária, com a renovada Praça Mauá, projeto de  B + ABR – Backheuser e Riera Arquitetura, e o Cais do Valongo, patrimônio da Humanidade reconhecido pela UNESCO e parte do circuito da herança africana, também foram mencionados pelos entrevistados, seja pelo passado como pela perspectiva de futuro da cidade.

Na Zona Norte teve destaque o Estádio do Maracanã, templo do futebol, citado como um local que estimula a convivência e com uma energia única.

O Parque Madureira, projeto de Ruy Rezende Arquitetos, inaugurado na última década, com a proposta de ser um espaço público sustentável, e que se consagrou também como uma das mais disputadas áreas de lazer da cidade, por ser, assim como o Parque do Flamengo, um espaço com enorme diversidade de atividades e perfis, foi também selecionado.

A belíssima paisagem natural da Baixada de Jacarepaguá foi mencionada por alguns entrevistados, que citaram a Praia da Barra e o bairro de Vargem Grande, com ares de roça com cachoeira no meio da cidade. E a Cidade das Artes, monumental obra do arquiteto francês Christian de Portzamparc, de grande riqueza espacial, que se notabiliza como um dos mais importantes equipamentos de cultura da cidade.

Na Zona Oeste, a aprazível Ilha de Guaratiba, com seus restaurantes de pescados e sítios, e o Sítio Burle Marx, que guarda a coleção de plantas tropicais e subtropicais do famoso paisagista e é candidato a patrimônio da Humanidade da UNESCO, surpreendem cariocas e turistas. 

As escolhas afetivas dos entrevistados são inclusivas, como deve ser a cidade. O Mirante do Arvrão, no Vidigal, a Casa do Jongo na Serrinha, a Favela Nova Holanda e a Rocinha, foram também enaltecidos pelas deslumbrantes vistas panorâmicas, pela cultura local e criatividade de seus moradores, que superam as adversidades da geografia e do dia a dia.     

E o MEU RIO se traduziu também no que os lugares inspiram. Nas palavras do arquiteto João Uchôa, um dos entrevistados – o espírito carioca – “Não é um local, mas está na praia, no boteco, na Lapa, no samba… Ele está guardado em todos esses espaços que congregam, onde a festa acontece. Isso é parte do patrimônio carioca, onde a base da cidade está presente desde sempre. Assim como a favela, eles guardam a alma do Rio de Janeiro.”

Inspirados pela cidade, sua alma e seus lugares, seguiremos em busca de novos olhares sobre O MEU RIO. 

Confira, na aba de acesso às reportagens (no alto), a coluna O MEU RIO.

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