Alcione

Nascida em São Luis do Maranhão, a consagrada intérprete Alcione Dias Nazareth, ou simplesmente Marrom, apelido que herdou no início da carreira, é uma “legitima carioca por adoção”. O carinho e a paixão da lenda do samba pelo Rio de Janeiro, e vice-versa, é demonstrado por onde ela vai, seja em suas turnês pelo mundo afora ou na quadra da Mangueira, que ela define como sua “segunda casa”.

– O Rio é a cidade que me acolheu e me lançou às paradas de sucesso. A cidade onde moro, que escolhi para viver e que me recebeu de braços abertos. Só posso ser grata e apaixonada por esta cidade -, justifica Alcione, que, de tão querida, já se apresentou, por três vezes, até no Rock In Rio.

A cantora diz colecionar “incontáveis e excelentes histórias”, desde quando desembarcou no município, em meados da década de 1970, em busca de novas conquistas na carreira, iniciada precocemente, aos 12 anos, por influência do pai, João Carlos Dias Nazareth. Ele era mestre da banda da Polícia Militar do Maranhão, professor e compositor.

Aos 9 anos, a quarta filha da relação de João Carlos com Felipa Teles Rodrigues – que tiveram ao todo nove filhos -, já sabia tocar trompete e clarinete. Formada em Magistério em 1967, a jovem, com apenas 20 anos, tentou a vida como professora primária, mas a empreitada durou só dois anos. Acabou dispensada, depois de insistir em ensinar os alunos a tocar instrumentos de sopro, ao invés de fazer contas.

– Quando cheguei ao Rio, fui logo trabalhar numa loja de discos, para ficar perto dos meus objetivos. Vendi muitos LPs de artistas que depois tornaram-se meus amigos -, detalha Alcione, cofundadora do Clube do Samba, ao lado de grandes nomes como João Nogueira, Cartola, Dona Ivone Lara, Martinho da Vila, Beth Carvalho e Clara Nunes.

Para agradecer e demonstrar o carinho pela cidade, ela carrega inúmeros clássicos que exaltam a Capital fluminense em seu repertório.

– Rio Antigo, de Chico Anysio e Nonato Buzar, é uma delas. Os fãs adoram essa canção. Eu amo interpretá-la. É um hino de amor ao Rio -, comenta Alcione, lembrando os trechos de outra música, gravada recentemente, e que também se transformou em uma espécie de tributo: `Sono dos Justos´, de Marcus Lima, Marcio Proença e Rodrigo Sestrem.

– É uma obra de arte em homenagem à Cidade Maravilhosa -, emociona-se, citando um trecho da composição: – …O mal não pode ser maior que o bem… O sol raiou, iluminando o Cristo Redentor. Estou sereno, nem sinal de dor. Vou me deitar com esta cidade.

Diante dos tempos difíceis, por conta da pandemia da Covid-19, Marrom enaltece a importância da música.

– Mais uma vez a arte e a cultura estão demostrando o quanto são importantes, atuando como bálsamos na vida de tantas pessoas, confinadas há meses. Sem a música, os filmes, o teatro e a dança, mesmo de forma virtuais, o povo estaria entrando em total depressão -, observa.

Lugares preferidos de Alcione no Rio

Cristo Redentor. Foto: Pedro Kirilos / Riotur

Cristo Redentor: Foi a primeira noção de grandeza que tive na vida. Para mim, é o monumento mais bonito do mundo.

Catedral do Rio. Foto: Alexandre Macieira/ Riotur

Catedral do Rio de Janeiro: Por sua magnitude, pelo teto solar e belíssimos vitrais. Esplendorosa!

Alto da Boa Vista. Foto: Ricardo Zerrener /Riotur

Alto da Boa Vista: Pelo contato com a natureza, com a Mata Atlântica. A vista do mirante Vista Chinesa é imperdível.

Beco das Garrafas. Foto: Divulgação/ AB BG Produções

Beco das Garrafas: Berço da Música Brasileira. Ali comecei minha vida profissional, assim como Dolores Duran, Simonal, Elis Regina, Leny Andrade, Bôscoli e Miele,

Quadra da Mangueira. Foto: Divulgação/Thiago Mattos

Quadra da Mangueira: Minha segunda casa! Quando estou no Palácio do Samba, a quadra da Verde e Rosa, me sinto como no Maranhão: em casa!