Otávio Leonídio

“Vejo o Rio de Janeiro. Estou morrendo de saudade. Rio teu mar, praias sem fim. Rio você foi feito pra mim”. O trecho de Samba do Avião, obra prima de Tom Jobim, parece até que foi feito para Otávio Leonídio, de 55 anos, arquiteto e urbanista, com doutorado em História. Carioca da gema, como faz questão de frisar, nascido em Botafogo, e professor do Departamento de Arquitetura da PUC-Rio, ele não esconde a paixão que tem pela Cidade Maravilhosa.

– Já morei fora algumas vezes. Mas sempre quis voltar. Porque o Rio está em mim. É um amor sem fim, incondicional – justifica Otávio, emocionado, que diz ser indescritível, “nas voltas”, pouco antes de pousar, ver “a água brilhando, a pista chegando e o Cristo Redentor de braços abertos sobre a Guanabara”, exatamente como descreve a canção de Tom.

O constante namoro pela atual Capital Mundial da Arquitetura se deve, segundo o arquiteto, à pluralidade impar, à mistura de raças, conjuntos arquitetônicos, de montanhas e o mar. Vislumbrado pelos espaços públicos, o urbanista os considera perfeitos, não só para contemplação e encontros, mas também como palcos para manifestações e festas populares, como o Carnaval e feiras livres.

Para Otávio – que também é escritor, autor de livros que exaltam a presença da arquitetura moderna brasileira na produção contemporânea, como “Carradas de Razões: Lúcio Costa e a Arquitetura Moderna Brasileira” (2007) -, as praias do município, consideradas por ele as mais bonitas do mundo, são uma espécie de “segunda casa”.

As de Ipanema, São Conrado e Barra da Tijuca, são as minhas preferidas. As frequento desde bebê – atesta, torcendo para que o momento mais difícil que o mundo enfrenta, diante da pandemia de Covid-19, traga lições positivas e faça ressurgir mais atividades ao ar livre.

– Meu sonho é nos livramos da fixação que desenvolvemos por ambientes climatizados. No caso da arquitetura, isso foi altamente danoso, ao meu ver. Pense na quantidade de varandas fechadas com vidros… Isso não faz sentido. Talvez isso seja revisto – acredita.

Lugares cariocas preferidos de Otávio Leonídio no Rio:

Cinelândia – É onde eu me sinto a um só tempo mais carioca e mais brasileiro, sobretudo em dias de manifestações políticas.

Circo Voador – Sou fanático pelo Circo, e não conheço no mundo todo nenhum lugar tão bom pra ver show e dançar até se acabar.

Glória – Sempre gostei de seus mercados populares, da arquitetura do bairro. Também frequentei por anos a feira da Praça XV. Mas nada se compara ao Shopping Chão da Glória.

Biblioteca Nacional – Um espaço público que faz a gente acreditar na própria ideia, tão atacada, de espaço público. A Seção de Iconografia (de fotos e documentos) é talvez a melhor no mundo todo. E o corpo de servidores é incrível.

Praça Tiradentes – Um dos lugares mais plurais e, portanto, rico, da cidade. Sou frequentador assíduo da Tiradentes Cultural, um dos meus programas favoritos na cidade.