Heloísa Buarque de Hollanda

Definitivamente Certidão de Nascimento da Cidade do Rio de Janeiro não é certificado de carioquice. Não tem como descrever Heloísa Buarque de Hollanda sem dizer que é uma genuína carioca. Mauro Ventura já atestou: “Heloísa é uma carioca de Ribeirão Preto (SP)”. Então, estamos combinados. Sua ligação com a  Zona Sul e as comunidades do Rio não deixam a menor dúvida também.

Ela chegou à cidade, que hoje é Capital Mundial da Arquitetura, aos 4 anos de idade. Morou em Copacabana, Jardim Botânico, Cosme Velho, Ipanema. Integrou turmas, frequentou cinemas bem perto da praia. Desenvolve trabalhos com focos em favelas, como o Universidade das Quebradas, que estimula a criação artística através do diálogo entre a comunidade acadêmica, produtores de cultura e artistas da periferia do Rio.

Heloísa é uma das coordenadoras da Universidade das Quebradas (UQ), um curso de extensão da UFRJ destinado a artistas e agentes culturais nas diferentes áreas da cidade.

Desde 2014, o segundo semestre do curso é desenvolvido pela Escola do Olhar. O tema da UQ 2019 foi sobre dos Direitos Humanos e alguns dos seus desdobramentos: Direito à Educação, Direitos Civis, Direito à Cidade, Direitos Culturais.

– A cultura das favelas não é de raiz. É popular, moderna, de fluxo, criativa. É moderna também do ponto de vista arquitetônico, de acordo com movimentação das pessoas. Acompanhei a chegada do funk, do hip hop, do grafite. Fui engolida -, explica Heloísa.

Aos 80 anos, a intelectual brinca que é uma arquiteta frustrada. “Mudei de casas muitas vezes para diferentes bairros do Rio e me preparo mais uma vez para mudar. O mais interessante é que todos os lugares em que morei tiveram projetos arquitetônicos diferentes e maravilhosos”. Realmente: uma das casas começou a ser construída pelo telhado, outra era toda redonda, outra ainda, tinha uma imensa jaqueira no meio da sala. Uma confissão: Lê os anúncios de imóveis diariamente.

Lugares preferidos:

Copacabana – Eu poderia ficar naquela orla para o resto da vida. Tem um cheiro de Rio de Janeiro, diferente das demais. Além disso, o formato é fascinante. De alguma forma cultiva a cultura dos anos 50.


Igreja em Vargem Grande

Vargem Grande – É uma roça com cachoeiras no meio da cidade. Você sai da Barra da Tijuca e entra em bairro onde, de repente, vê um burro carregando bananas, canas. Têm botecos maravilhosos. E uma igrejinha que contrasta com a opulência da Barra.

Vista do Mirante do Arvrão

Mirante do Arvrão – A praça no alto do Vidigal permite uma vista das mais lindas que existem no mundo. Podemos contemplar a favela correndo morro abaixo, e a Cidade do Rio em uma visão panorâmica.

Cosme Velho

Ruas do Cosme Velho – O bairro tem um clima de Rio Antigo e uma vida diferente. Faz a gente voltar no tempo e parece não precisar do restante da cidade, de ser totalmente independente. Não parece nem que estamos no Rio de Janeiro, porém, estando. 

Ipanema – Especialmente o trecho entre as ruas Ataulfo de Paiva e Visconde de Pirajá, onde tem tudo. Até cartório. Quem mora ali não precisa sair da região para nada. É muito cultural também.