Elizabeth de Portzamparc

Dos 7 aos 12 anos de idade, Elizabeth de Portzamparc foi interna em um rigoroso colégio de freiras no Alto da Boa Vista, no Rio, onde era obrigada a permanecer dias em silêncio. Na adolescência, já matriculada em uma escola mista, descobriu o teatro e frequentou o curso de artes de Frank Schaeffer. Entre os tempos de disciplina rígida e o aprendizado conquistado na Zona Sul, a jovem Elizabeth escolheu levar para a vida e para o seu trabalho a liberdade. Morando desde 1969 em Paris, a arquiteta carioca renomada e premiada internacionalmente, à frente de projetos em países como França e China, mantém esta característica presente em suas obras através da fluidez, da eliminação de barreiras entre o interior e o exterior e da admiração pelas plantas livres idealizadas por uma de suas maiores inspirações, o arquiteto e urbanista Sergio Bernardes, e sobretudo, pelo conceito pioneiro de espaços para a vida social e coletiva desenvolvido por arquitetos da escola paulista como Vilanova Artigas, Paulo Mendes da Rocha e Lina Bo Bardi. “Toda a minha arquitetura é baseada na ideia de interações, de relações entre as pessoas com o lugar e com a natureza”, afirma.

Quando menina, sonhava em morar na Urca. Há quase duas décadas, adquiriu ali um terreno que só agora recebeu autorização para construção. O projeto original vem sofrendo alterações ao longo dos anos e poderá sair do papel como uma fundação, uma residência para jovens arquitetos ou uma casa para Elizabeth e sua família. Certo é que haverá nesse espaço uma profunda interligação entre as linhas arquitetônicas e o exterior que exibe a Baía da Guanabara, o Cristo Redentor, o Pão de Açúcar e jardins exuberantes. “Uma coisa única no Rio é a relação forte da arquitetura com a natureza. Qual cidade com milhões de habitantes convive com uma fauna e uma flora tão ricas?”, pergunta Elizabeth, integrante do Comitê de Honra do 27º Congresso Internacional de Arquitetos UIA2020 Rio.

Floresta da Tijuca. Foto: Alexandre Macieira

Floresta da Tijuca – É um local imperdível. É incrível achar uma floresta assim, com essa fauna e essa flora, no meio de uma cidade com milhões de habitantes.  A Capela Mayrink, onde me casei pela primeira vez, é um belo exemplo de arquitetura colonial muito importante.

Museu de Arte Moderna. Foto: Alexandre Macieira

Museu de Arte Moderna (MAM) – É um caso fortíssimo desta relação entre arquitetura e natureza devido à presença dos jardins projetados por Burle Marx e essa arquitetura de concreto. Além disso, o sistema de estrutura suspensa por pórticos é maravilhoso porque permite uma arquitetura exterior extraordinária e espaços internos adequados para museus com plantas livres, completamente flexíveis, que acolhem todo tipo de exposição. Esse edifício contém também uma imensa área pública sob o museu que permite todo tipo de eventos organizados ou improvisados. Esta característica idealizada pela escola paulista é pioneira no mundo e está começando a ser muito utilizada mundo afora, mais de 50 anos depois.

Palácio Gustavo Capanema. Foto: Daniela Matta

Palácio Gustavo Capanema (MEC) – Um marco histórico muito importante e sempre bastante citado. Tem aspectos fundamentais da arquitetura tropical com enormes pilares que dão sombra, uma dimensão para o espaço muito importante. Toda a volumetria é um aspecto muito importante da obra do Niemeyer.

Cidade das Artes. Foto: Alexandre Macieira

Cidade das Artes – É muito raro para um arquiteto estrangeiro conseguir sentir a cultura de um país e transpô-la para o seu desenho, aspecto fundamental na arquitetura. Feita pelo Christian de Portzamparc, com quem sou casada, este edifício é um monumento imperdível.

Largo do Boticário. Foto: Alexandre Macieira

Largo do Boticário – Um local romântico e bucólico. Mesmo sendo um espaço que foi reconstruído com elementos antigos do Centro do Rio, caracteriza bastante a arquitetura colonial brasileira.