Cecília Herzog

Uma paisagista paulista que se apaixonou pelo Rio de Janeiro em 1974, quando aqui chegou e descobriu os encantos de paraísos naturais, como o Parque Nacional da Tijuca. Esta é Cecília Polacow Herzog que, atualmente, espera que o ditado popular ‘há males que vêm para o bem’ se aplique ao mundo pós-Covid-19. Ela, que é professora da PUC-Rio, pesquisadora referência no Brasil em Soluções baseadas na Natureza (SbN) e urbanização para cidades sustentáveis, diz que o momento, apesar das dificuldades em todos os setores, é propício para se refletir que tipo de soluções encontrar para o bem-estar das cidades e seus habitantes, em sintonia com a preservação da natureza.

A relação ser humano, desenvolvimento urbano e meio ambiente, tem que ser prioridade absoluta, na sua opinião, contrastando com a “visão antiga, urbanóide e desconectada da natureza”. Autora do livro ‘Cidades Para Todos: (Re) Aprendendo a Conviver com a Natureza’, Cecília diz que novos caminhos serão fundamentais para que as próximas gerações tenham melhor qualidade de vida, longe de doenças e economia estável.

– E o Rio Capital Mundial da Arquitetura está sendo uma oportunidade de ouro para que esse debate se aprofunde. Grandes países, como Estados Unidos e China, e vários outros da Europa, já buscam saídas para crises emergenciais, com respostas pautadas no ecossistema. Mas isso é uma missão de todos, não só dos governantes ou ativistas. A grande mídia também deve ter papel fundamental para provocar essa discussão, mais que urgente. Somos todos natureza – ressalta Cecília, defensora de que a urbanização tem que ser amiga da natureza.

De acordo com a professora, que também é palestrante, perita e consultora, nas grandes metrópoles é preciso que as construções sejam repensadas, levando-se em conta também as condições climáticas, cada vez mais severas, com seus impactos para os animais e o homem. Ela lembra, por exemplo, que Toronto, no Canadá, com seus mais de 1,6 mil edifícios – boa parte deles, os mais altos arranha-céus do hemisfério ocidental -, passou a estudar novas soluções para os prédios. A renaturalização do Córrego Cheonggyecheon, em Seul, capital da Coreia do Sul, é outro caso emblemático de implementação de soluções baseadas na natureza em ambiente urbano.

Filha de empresários do setor de agrotóxicos, Cecília conta que com o passar do tempo foi mudando radicalmente de postura em relação à vida. Tal mudança começou a ocorrer quando um professor da Fundação Getúlio Vargas, onde estudou, na década de 1970, alertou que era preciso se preocupar com mudanças profundas no meio ambiente, promovidas por grandes corporações, como vem ocorrendo nos últimos 50 anos. A partir daí, decidiu se dedicar à defesa do verde em locais densamente povoados.

Hoje, ela ressalta que edificações lacradas, com ares-condicionados e espelhadas, estão sendo revistas, pois passaram, de certa forma, a reduzir a qualidade de vida da população e disseminar doenças respiratórias.

– No Brasil, a medida que o homem avança predatoriamente sobre a Amazônia, a tendência é que novas pandemias partam de lá. Então, metrópoles, como o Rio, têm que passar a priorizar um novo tipo de arquitetura, que alinhe recursos econômicos com ecologia urbana, a biodiversidade, visando alta qualidade de vida e bem-estar para seus moradores. Os centros urbanos têm que fazer as pazes com a natureza, para o bem das pessoas e para sua própria sustentabilidade e resiliência – opina Cecília, que nas últimas duas décadas vem buscando caminhos para essa harmonia.

Para Cecília, cidades sustentáveis é que adaptarão municípios às mudanças climáticas cada vez mais severas e rápidas, como enchentes, deslizamentos, desertificação e escassez de água e energia. Há anos ela vem defendendo que o papel da biodiversidade urbana, da desimpermeabilização do solo, dos transportes alternativos de baixo impacto e de massa com combustíveis limpos, da geração de energia local e renovável, e da economia de energia, são considerados pontos primordiais na construção de novos ambientes.

Lugares cariocas preferidos de Cecília no Rio:

Jardim Botânico – Por suas belas áreas verdes, exemplos de diversidade da flora brasileira e estrangeira; seus monumentos de valor histórico, artístico e arqueológico; e pela mais completa biblioteca do país especializada em botânica.

Parque Nacional da Tijuca – É o paraíso, o pulmão da cidade. Além de proteger a primeira floresta replantada do planeta, possui dezenas de cachoeiras, trilhas e ruínas.

Mureta da Urca – Possui uma das vistas mais incríveis do Rio de Janeiro. Uma das principais referências da cidade em termos de ponto de encontro de cariocas e turistas de todo o mundo. Dali, o pôr do sol parece mais belo ainda.

Centro Antigo – Cheio de museus riquíssimos, livrarias e prédios coloniais magníficos, como o do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), dos Correios, Casa França-Brasil e Paço Imperial, exala cultura por toda a parte.

Praça São Salvador Foto: Paulo Mumia/ Riotur

Praça São Salvador, Laranjeiras – Adoro, assim como todas as praças do município. Local perfeito para feirinhas e manifestações artísticas e culturais, As rodas de choros são uma das principais fontes de entretenimento.