Arquiteta e pesquisadora Natália Cidade: como evitar a proliferação do coronavírus

Com o aumento diário de casos confirmados e suspeitos de pessoas com coronavírus, a população busca incessantemente informações sobre como evitar o contágio. E, como a transmissão atualmente não ocorre apenas de pessoa para pessoa, já que o vírus está nas superfícies de maneira geral, é extremamente importante uma higienização adequada. Para esclarecer com detalhes como manter os ambientes mais saudáveis, o Rio Capital Mundial da Arquitetura entrevistou a arquiteta-urbanista, pesquisadora do Centro de Estudos e Pesquisas em Emergências e Desastres em Saúde (CEPEDES / Fiocruz) e doutoranda em planejamento urbano no IPPUR/UFRJ, Natália Cidade.

A profissional alerta que como o coronavírus chegou no Brasil há pouco tempo, praticamente toda a produção científica usada pelos pesquisadores é internacional, desenvolvida a partir da experiência dos outros países. 

De forma geral, com base nos estudos internacionais, ela indica que se mantenha os ambiente limpos com produtos detergentes, superfícies higienizadas o máximo possível em casa, principalmente as tocadas com frequência por pessoas diferentes. São os espaços de acesso e circulação, como maçanetas, corrimãos, puxadores e utensílios domésticos.

Segundo a arquiteta, os coronavírus humanos podem permanecer infecciosos em superfícies em temperatura ambiente por até nove dias. A uma temperatura de 30° C ou mais, a duração da persistência é mais curta (Veja a tabela abaixo).

– A contaminação de superfícies de toques frequentes em ambientes de saúde é, portanto, uma fonte potencial de transmissão viral. Não foram encontrados dados sobre a transmissibilidade dos coronavírus das superfícies contaminadas para as mãos. No entanto, pode ser demonstrado com o vírus influenza A que um contato de 5 segundos pode transferir 31,6% da carga viral para as mãos. Em um estudo de observação, foi descrito que os alunos tocam o rosto com as próprias mãos em média 23 vezes por hora, com contato principalmente com a pele (56%), seguido por boca (36%), nariz (31%) e olhos (31%) -, cita Natália, em referência ao artigo ‘Persistence of coronaviruses on inanimate surfaces and their inactivation with biocidal agents’.

As recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) devem ser seguidos à risca. E os procedimentos de limpeza e desinfecção ambiental têm que ser feitos de maneira consistente e correta. E o uso de desinfetantes comuns como hipoclorito de sódio também é boa prática, de acordo com a especialista.
 

-O ideal é o uso da solução com uma parte de hipoclorito de sódio para 100 de água. Nossos dados resumidos com coronavírus indicam que uma concentração de 0,1% é eficaz em 1 minuto. Uma concentração de 70% de etanol também é recomendada pela OMS para desinfetar pequenas superfícies -, relata Natália.

Veja o tempo de persistência do coronavírus em superfícies (fonte: J. Hosp. Infect / Medscape):

-Plástico: 5 dias

-Papel: 4-5 dias

-Papelão: 24h

-Vidro: 4 dias

-Madeira: 4 dias

-Aço: 48 horas

-Luvas: 8 horas 

-Alumínio: 2-8 horas

(Fonte: Persistence of coronaviruses on inanimate surfaces and their inactivation with biocidal agents. Fonte: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0195670120300463)



Tire suas dúvidas com a Plataforma da Fiocruz sobre o Coronavírus
:

-ONDE DEVE FICAR A PESSOA QUE PRECISA DE ISOLAMENTO DOMICILIAR?

O ideal é que fique sozinha em um quarto, ou em um cômodo da casa adaptado como quarto, se possível com um banheiro privativo. As portas do quarto devem ficar fechadas o tempo todo, mas as janelas devem ficar abertas para que o ambiente fique bem ventilado. O paciente só deve sair deste quarto em caso de necessidade (para ir ao banheiro se este for separado, ou para ir ao médico). Se o doente precisa fazer algum tratamento com inalação (ou nebulização), deve fazer sempre dentro do quarto. As refeições também devem ser servidas dentro deste quarto.

E QUEM CUIDA DO DOENTE?

Qualquer familiar ou amigo pode cuidar do paciente, mas é preciso evitar que sejam gestantes, idosos ou pessoas com outros problemas de saúde, como outras doenças respiratórias (bronquite, asma, enfisema, etc). Os cuidadores devem evitar contato com as secreções respiratórias do doente, seguindo as instruções para uso correto de máscaras cirúrgicas, limpeza da casa e dos utensílios usados, além da lavagem das roupas e das mãos.

E AS VISITAS?

As visitas devem ser proibidas. Só as pessoas que precisam cuidar do paciente (dar comida, remédios e etc.) podem entrar no quarto.

O QUE É PRECISO TER EM CASA?

Os cuidados de isolamento domiciliar não exigem nenhum equipamento especial. Além dos produtos de limpeza comuns é necessário ter máscaras cirúrgicas e álcool gel que podem ser adquiridos em farmácias.

QUEM DEVE USAR MÁSCARA? EM QUE MOMENTOS?

Os cuidadores do doente devem colocar a máscara antes de entrar no quarto do doente e ficar com ela, tampando boca e nariz, durante todo o tempo em que ficarem lá.

O doente não precisa ficar de máscara dentro do quarto, mas deve colocar a máscara, tampando boca e nariz sempre que for sair, por qualquer motivo, e permanecer com ela durante todo o tempo em que ficar fora do quarto. Mesmo dentro do quarto, o doente deve cobrir o nariz e a boca com lenços de papel ao tossir ou espirrar.

MÁSCARA PRECISA SER JOGADA FORA A CADA VEZ QUE FOR USADA?

Sim. As máscaras usadas pelo doente e pelo cuidador devem ser descartadas no lixo após cada uso.

OS CUIDADORES DEVEM TOMAR ALGUM CUIDADO ESPECIAL?

É importante lavar as mãos com água e sabão após cada contato com o doente ou com as roupas, toalhas e lençóis que ele tenha usado (após a lavagem das roupas e a troca de roupas, por exemplo), após a lavagem de pratos, copos e talheres do doente, após a limpeza do quarto, do banheiro e dos objetos, e após cada vez que a máscara for retirada. Pode ser usado álcool gel 70% substituindo a lavagem se as mãos não estiverem sujas.

COMO LIMPAR O QUARTO E O BANHEIRO?

O quarto e o banheiro devem ser limpos normalmente todos os dias. As superfícies do banheiro e do quarto devem ser desinfetadas com álcool 70%. O piso do banheiro e o vaso sanitário devem ser desinfetados com hipoclorito (água sanitária), após a limpeza. A tampa do vaso sanitário deve ser mantida fechada durante o acionamento da descarga. Os panos de limpeza devem ser lavados após cada uso e desinfetados com hipoclorito (água sanitária). Antes de usar o álcool ou o hipoclorito certifique-se que essas substâncias não danificarão os objetos. O lixo do quarto e do banheiro do doente deve ser descartado em sacos fechados, normalmente, junto com o lixo da casa.

COMO LAVAR ROUPAS, TOALHAS E LENÇÓIS USADOS PELO DOENTE?

Não é necessário lavar as roupas do paciente em separado, mas outras pessoas só podem usar qualquer peça que teve contato com o doente depois da lavagem. Na hora de recolher e de lavar as roupas elas não devem ser sacudidas.

QUE FAZER COM PRATOS, COPOS, TALHERES E OUTROS OBJETOS USADOS PELO DOENTE?

A louça utilizada pelo paciente não precisa ser lavada em separado, mas assim como as roupas os copos, pratos e talheres só podem ser usados por outras pessoas depois de lavados. Qualquer outro objeto que o doente usar, como por exemplo aparelho de telefone, livros, computador, jornais e revistas, deve ser limpo e desinfetado com álcool a 70% antes de ser usado por outra pessoa. Antes de usar o álcool certifique-se que essa substância não danificará os objetos.

QUAIS CUIDADOS O DOENTE PRECISA RECEBER?

O doente deve ficar em repouso, tomar bastante líquido e receber alimentação leve e balanceada. Podem ser usados analgésicos e antitérmicos comuns para os sintomas.

QUANDO LEVAR O DOENTE PARA O HOSPITAL?

O doente deve ser levado para atendimento médico se apresentar piora. Em caso de dor no peito, falta de ar, extremidades azuladas (unhas e pontas dos dedos), desidratação, vômitos incontroláveis, diminuição da quantidade de urina, vertigens e confusão mental o paciente deve ser conduzido a um hospital imediatamente.

O QUE FAZER SE ALGUÉM DA MESMA CASA TIVER ALGUM SINTOMA DE CORONAVÍRUS?

Deve procurar atendimento médico em unidade de saúde. Na consulta deve informar que teve contato com caso suspeito e fazer a coleta para exame para diagnóstico.

fonte das informações: Plataforma da Fiocruz sobre Coronavírus disponível em: https://portal.fiocruz.br/coronavirus

Rio Capital Mundial da Arquitetura

O Rio de Janeiro é a primeira Capital Mundial da Arquitetura, título inédito conquistado pela Prefeitura do Rio e pelo Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB) e concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) e pela União Internacional de Arquitetos (UIA). Ao longo de todo o ano de 2020, a cidade sediará uma série de eventos, entre eles o 27º Congresso Mundial de Arquitetos, exposições e concursos públicos (adiado para 18 a 22 de julho de 2021, devido ao surto de coronavírus no mundo). Além de mostrar para o mundo a riqueza arquitetônica do Rio, esta titulação é também uma oportunidade de reflexão sobre o futuro, de planejar o que se quer para as cidades de todo o mundo.

UIA 2020 Rio

Com o tema “Todos os mundos. Um só mundo. Arquitetura 21” e expectativa de público de 20 mil profissionais da área, o 27º Congresso Mundial de Arquitetos vai transformar o Rio no epicentro do debate sobre o futuro das cidades do mundo. Promovido pela União Internacional de Arquitetos (UIA) e com a organização do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB), o evento convida especialistas e entusiastas de cidades mais dinâmicas, justas e sustentáveis a debater soluções entre os dias 19 e 23 de julho de 2020 (devido à pandemia de Coronavírus no mundo, a data foi adiada para 18 a 22 de julho de 2021). O Congresso conta ainda com eventos preparatórios e paralelos, como exposições, seminários e workshops, que acontecem por todo o país.


Notícias Recentes

Share on facebook
Share on whatsapp
Share on twitter
Share on linkedin