Zico

Numa tarde no início dos anos 60, o menino Arthur acompanhou os irmãos ao Maracanã para assistir à final do clássico Fla-Flu. Para irem do subsolo ao último andar do estádio, seguiram por corredores e pegaram um elevador. A imagem revelada ao garoto quando aquelas portas se abriram nunca foi esquecida. “Essa cena não saiu mais da minha cabeça. Ainda hoje, fecho os olhos e vejo aquele estádio com 177 mil pessoas, todo colorido de preto, vermelho e verde. Anos depois, já jogando pelo Flamengo, chegava mais cedo e refazia esse trajeto só para ter novamente aquela visão”, lembra Arthur Antunes Coimbra, que se tornou o Zico, o maior artilheiro da história do estádio com 333 gols marcados em 435 partidas.

Aos 66 anos, morando a maior parte do ano no Japão onde atua como diretor técnico do Kashima Antlers, o ídolo do Flamengo e da seleção brasileira de futebol se mantem fiel ao seu Rio de Janeiro que inclui, além do mais famoso estádio de futebol do mundo, a praia da Barra da Tijuca aonde ia com os irmãos na adolescência, a Lagoa Rodrigo de Freitas que remete às lembranças de passeios com o pai, o Cristo Redentor “olhando” por ele durante os treinos no Estádio do Flamengo e o bairro de Quintino onde ainda hoje mora a sua família. “Chego a passar cinco meses longe daqui. Aí dói. Sinto falta da energia, da praia, de ver jogo de futebol no Maracanã…. Quando volto e atravesso o Túnel Rebouças, me deparo com a imagem da Lagoa e penso: ‘Agora sim, cheguei em casa’”, conta.

Maracanã. Foto: Alexandre Macieira

Maracanã – Pelo o que ele representa para a história do futebol brasileiro e para mim. Ainda mais depois que acabei me tornando o maior artilheiro do Maracanã. É um espaço fantástico. É um templo com uma energia única. Quando a gente vive no exterior percebe a admiração e a vontade que todos têm de jogar ali.

Lagoa Rodrigo de Freitas. Foto: Alexandre Macieira

Lagoa Rodrigo de Freitas – Um dos locais mais bonitos do Rio. Além disso, tenho na memória as lembranças de quando meu pai saía de Quintino e levava a gente para passear, nos anos 60, naquele espaço bonito, bem iluminado, com as pessoas confraternizando. Toda vez que posso dou um jeito de fazer com que o meu percurso passe por ali.

Praia da Barra. Foto: Fernando Maia

Praia da Barra da Tijuca – Uma paixão desde pequeno, quando meus irmãos me levavam para tomar banho de mar naquele bairro ainda deserto. Sempre sonhei que um dia ia morar na Barra. Realizei esse desejo dois anos depois de casado e nunca mais saí de lá.

Cristo Redentor. Foto: Pedro Kirilos

Cristo Redentor – Um símbolo da humanidade. Muita gente conhece o Brasil por causa desta imagem. É um local espetacular e que sempre esteve presente na minha história. Lá do alto, o Cristo olhava por mim quando eu treinava e jogava no Estádio do Flamengo…

Pão de Açúcar. Foto: Alexandre Macieira

Pão de Açúcar – Um presente da natureza para o Rio de Janeiro. Um lugar especial que une uma beleza incrível no encontro do mar e da montanha. É conhecido em todo o mundo e encanta a todos.